Saúde

Alimentação na gravidez

15.5
Dra. Patrícia Peixoto

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20150517

20150517

Assim que se descobre grávida, é natural que a mulher se sinta insegura em relação ao que e como deve comer. Embora haja dicas preciosas que podemos compartilhar com as futuras mamães, vale ressaltar que:

– não há uma formula mágica de “alimentação para gestante”;

– Cada mulher precisa de uma dieta específica. Cada vez mais se confirma que uma boa alimentação durante a gestação previne doenças para a mãe e o bebê. Muitas doenças crônico-degenerativas se iniciam no interior do útero e já há evidências clinicas de que a desnutrição ou a super-alimentação durante o período gestacional podem gerar doenças no bebê ao chegar a idade adulta.

As escolhas da mãe influenciam também nos futuros hábitos alimentares do bebê. O desenvolvimento do paladar tem início na gestação e os alimentos consumidos pela gestante interferem na composição do líquido amniótico. Dentro do útero, o bebê deglute esse líquido o tempo todo. Quando chegar sua a hora de comer alimentos sólidos, há chances de demonstrar preferência pelos sabores que já são familiares. Portanto, é muito importante adotar uma alimentação saudável na gestação.

Para evitar as náuseas, típicas do primeiro trimestre, a mulher deve comer a cada três horas, evitando assim a hipoglicemia, que é uma das causas dos enjôos. Alem disso, se ela ficar muitas horas em jejum, entrará em um estado de “cetose”, o que é prejudicial ao bebê. Ainda no primeiro trimestre há um aumento da frequência cardíaca e volume do sangue da mamãe e partes vitais do bebê, como o sistema nervoso, estão se formando. Nessa fase, a ingestão de ferro e ácido fólico e importante.

A gestante deve priorizar os alimentos saudáveis, ricos em fibra, além de ficar atenta a uma boa hidratação. Alimentos que são fontes de açúcar, bem como óleos e gorduras, devem ser ingeridos com moderação. O excesso de sal e de alimentos que podem ser difíceis de digerir, como pepino, pimentão, pimenta, entre outros, devem se evitados. Café e bebidas alcoólicas também não devem ser consumidos.

Vamos falar um pouco de cada nutriente.

FERRO: encontrado em carnes, fígado, ovos, feijão e verduras (espinafre, por exemplo). Para melhor absorção do ferro pelo organismo, consuma na mesma refeição alimentos ricos em vitamina C, como frutas cítricas e tomate, e evite alimentos ricos em cálcio, como leite e seus derivados, que diminuem a absorção.

ÁCIDO FÓLICO: encontrado em vegetais verde escuros (espinafre, couve, brócolis), cereais e frutas cítricas. Cozinhe no vapor para não destruir o ácido fólico. A partir do segundo trimestre de gestação, reforce a ingestão de vitaminas C (importante na formação do colágeno – pele, vasos sanguíneos, ossos e cartilagem, e no fortalecimento do sistema imunológico da mamãe) e B6 (importante para o crescimento e o ganho de peso do feto e a prevenção da depressão pós-parto) e do mineral e magnésio (favorece a formação e o crescimento dos tecidos do corpo).

VITAMINA C: encontrada nas frutas como kiwi, laranja, morango, melão, melancia, mamão, abacaxi e nas hortaliça (brócolis, pimentões, tomate, couve-flor).

VITAMINA B6: encontrada no trigo, milho, fígado, frango, peixe, leite e derivados, leveduras.

MAGNÉSIO: encontrada nas nozes, soja, cacau, frutos do mar, cereais integrais, feijões e ervilhas. O cálcio e a vitamina D devem ser reforçados no terceiro trimestre, por serem essenciais para a formação óssea do bebê, além de auxiliarem na contração muscular e batimentos cardíacos. Na mãe, ajudam a manter as unhas fortes, os dentes sem cáries, evitar gengivite e câimbras, além de ajudar na produção de leite após o parto.

CÁLCIO: encontrado em leites e derivados, bebidas de soja, tofu, gema de ovo e cereais integrais.

VITAMINA D: encontrada em leite enriquecido, manteiga, ovos e fígado. O banho de sol é essencial para que essa vitamina auxilie na fixação do cálcio nos ossos.

VITAMINA A: ajuda no desenvolvimento celular e ósseo e a formação do broto dentário do feto e na imunidade da gestante. É encontrada no leite e derivados, gema de ovo, fígado, laranja, mamão, couve e vegetais amarelos.

NIACINA (VITAMINA B3): transforma a glicose em energia, mantendo a vitalidade das células maternas e fetais e estimula o desenvolvimento cerebral do feto. É encontrada em verduras, legumes, gema de ovo, carne magra, leite e derivados.

TIAMINA (VITAMINA B1): também estimula o metabolismo energético da mamãe. É encontrada em carnes, cereais integrais, frutas, ovos, legumes e leveduras.

Em relação aos grupos alimentares:

CARBOIDRATOS: fornecem energia para a mamãe e para o desenvolvimento do bebê. Os melhores são os integrais: arroz, pães, macarrão e cereais que são absorvidos mais lentamente e por isso saciam mais a mamãe.

PROTEÍNAS: encontradas em carnes, feijão, leite e derivados. São responsáveis por construir, manter e renovar os tecidos de mamãe e bebê.

LIPÍDIOS: são as gorduras que auxiliam na formação do sistema nervoso central do feto. Encontrados mais em carnes, leite e derivados, abacate, azeite e salmão.

Tão logo engravide, a mulher deve procurar um nutricionista para avaliar suas necessidades e do bebê e receber as orientações adequadas.

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