Saúde

Climatério e Menopausa

20.6
Dra. Patrícia Peixoto

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Muitos podem ser os sintomas indesejáveis decorrentes da diminuição dos hormônios estrogênio e progesterona. Quando ondas de calor, irritação, ressecamento vaginal, redução na libido, menstruação irregular, insônia, fadiga, dificuldade de concentração, alterações na pele e nos cabelos começam a aparecer, normalmente entre os 45 e 50 anos, já imaginamos que é a menopausa chegando.

A falência gradativa dos ovários é responsável pela redução progressiva desses hormônios, e se trata de algo que ocorre naturalmente com as mulheres nesta faixa etária. Para algumas mulheres essa etapa não chega a causar grandes desconfortos. Entretanto, outras apresentam sintomas tão intensos que têm a qualidade de vida bastante prejudicada. Para ajudar este grupo, os médicos começaram a indicar, na década de 1960, a Terapia Hormonal (TH). Uma pesquisa conhecida como Women´s Health Initiative foi publicada no Journal of the American Medical Association em 2002. O trabalho, que contou com a participação de 27 mil voluntárias americanas, chegou à conclusão de que o tratamento com hormônios aumentava os riscos de eventos como câncer de mama, infarto e derrame. A partir de então, a TH passou a ser vista com uma desconfiança que perdura até hoje.

A fim de esclarecer a população, a Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e a Associação Brasileira de Climatério (Sobrac) divulgaram pontos importantes da pesquisa. São eles:

– A pesquisa foi feita com mulheres que estavam na menopausa há um bom tempo.

– As doses utilizadas eram altas em relação aos padrões brasileiros e só foram testados tratamentos manipulados por via oral.

– Ou seja, a TH não deve ser condenada como um todo. Mas, a verdade é que desde então o tema gera dúvidas. Nem todas as mulheres podem se submeter à terapia hormonal quando a menopausa chegar, pois há contraindicações bem definidas a ela:

– passado de câncer de mama ou de endométrio,

– presença de sangramento vaginal anormal sem diagnóstico

– doença hepática ou cardíaca severa.

Por outro lado, a presença de doenças ou condições pré-existentes como diabetes, colesterol alto e hipertensão não inviabilizam a TH. Cada caso é avaliado individualmente. A ideia de que o tratamento eleva risco de câncer de mama, ataque cardíaco e derrame não é de todo correta. Este risco sofre a interferência de alguns fatores, como idade da paciente, doenças das quais é portadora, tipo de hormônio usado, o tempo de menopausa transcorrido desde a última menstruação e o início do tratamento. Ou seja: os riscos variam de acordo com cada mulher.

O que hoje se sabe é que a paciente que começa a TH anos depois da interrupção da menstruação, tem um aumento no fator de risco para problemas como infarto e derrame. Por outro lado, novos estudos indicam que se o tratamento for iniciado na transição da menopausa esses riscos diminuem bastante. O que muitas mulheres desconhecem é que a deficiência hormonal que ocorre no climatério afeta o sistema cardiovascular porque o estrógeno atua na proteção do coração e no tecido gorduroso. Neste sentido, a TH bem indicada pode reduzir este risco. Além disso, algumas mudanças no estilo de vida ajudam não apenas a controlar os sintomas da menopausa, como também a afastar os riscos cardiovasculares.

Estão nesta lista: evitar o tabagismo e o abuso do álcool, aumentar o consumo de fibras e cálcio, evitar o sal em excesso e realizar atividades físicas. O medo de que a TH engorde também não é real. Homens e mulheres tendem a ganhar peso com a idade. Com a redução dos níveis hormonais femininos, as mulheres apresentam uma distribuição corporal mais masculina, com a gordura se concentrando na região do abdomem. Com a terapia hormonal, o excesso de gordura que a mulher adquire com a idade tende a se depositar em outras áreas, como mamas e quadril. O controle do peso, para as mulheres fazendo ou não a TH deve ser feito, a fim de tratar o excesso de gordura corporal. Entre os benefícios da TH temos:

1-a melhora o aspecto da pele, das unhas e do cabelo. Porém vale ressaltar que este não deve ser o motivo único para se prescrever TH.

2-O tratamento também pode melhorar a libido, dependendo do tipo. Em muitos casos, isso ocorre devido ao aumento da autoestima feminina combinado à melhora da lubrificação vaginal (na ausência do estrogênio a área costuma ficar ressecada, causando muito desconforto durante as relações sexuais).

3-redução dos incômodos provocados pela diminuição hormonal como cistites de repetição, oscilações de humor e fogachos, entre outros.

4- possibilidade de prevenir doenças, como a osteoporose (o estrógeno ajuda a fixar o cálcio nos ossos e, quando é reduzido devido à menopausa, as mulheres ficam mais sujeitas à osteoporose) e a doença de Alzheimer.

Do que se conclui que hoje a grande questão em relação à fazer ou não TH é a avaliação individual. Em pacientes sem contra-indicações, citadas acima, com sintomas do climatério que estejam afetando sua qualidade de vida, devemos avaliar junto a paciente e pesar riscos e benefícios para definir se a TH será ou não indicada. Para aquelas que iniciam o tratamento, pontos importantes merecem ser destacados:

– a avaliação periódica quanto a resposta ao tratamento e possíveis efeitos colaterais é fundamental

– O alívio dos sintomas costuma ser grande. No caso dos fogachos só se obtém com maior com a TH.

– A TH deve ser iniciada precocemente. Estudos mais recentes indicam que o tratamento iniciado na transição da menopausa reduz o risco de complicações cardiovasculares provocadas pela redução dos níveis hormonais, uma vez que a deficiência hormonal afeta o sistema cardiovascular porque o estrógeno atua na proteção do coração e no tecido gorduroso.

– TH não substitui as mudanças no estilo de vida. Elas ajudam não apenas a controlar os sintomas da menopausa, como também a afastar os riscos cardiovasculares. São elas: evitar o tabagismo e o abuso do álcool, aumentar o consumo de fibras e cálcio, evitar o sal em excesso e realizar atividades físicas.

– O tempo de uso da TH também deve ser individualizado. No caso da combinação de estrogênio e progesterona não se recomenda que este tempo ultrapasse cinco anos.

– O objetivo terapêutico é utilizar a mais baixa dose efetiva dos hormônios. As vias de administração não orais podem oferecer vantagens e desvantagens comparadas com a via oral.

Converse com seu ginecologista ou endocrinologista.

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