Saúde

Cuidados durante a gravidez

08.5
Dra. Patrícia Peixoto

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Gravidez é uma fase de grandes mudanças e umas das principais ocorre com os hormônios. Mantê-los nos seus níveis adequados é importante para mãe e bebê. O acompanhamento com endocrinologista torna-se ainda mais necessário em determinadas circunstâncias. Vamos a elas:

1-Diabetes e gestação – Alterações da glicemia durante a gravidez são muito frequentes. E podem ocorrer duas situações diferentes:

– o diabetes já está presente ao engravidar;

– o diabetes gestacional, que se manifesta durante a gravidez.

O diabetes pré-gestacional é mais grave quando não está bem controlado, pois pode causar problemas na fertilização e implantação do embrião, além de malformações congênitas e abortos espontâneos. Um bom controle glicêmico, especialmente no momento da concepção e durante o primeiro trimestre da gravidez, é fundamental para que se evitem tais complicações. Portanto, estas mulheres precisam planejar a gestação. No diabetes gestacional a alteração nos níveis normais de glicemia decorre da gravidez e cessa após o parto. Sua detecção e tratamento devem ser feitos pelos riscos que mãe e bebê podem enfrentar: macrossomia fetal, problemas durante o parto, à hipoglicemia e à icterícia prolongada no bebê. E, importante, crianças cujas mães tiveram diabetes gestacional apresentam maior risco de desenvolver obesidade e diabetes no futuro. Além disso, as mulheres que desenvolvem diabetes gestacional devem ser monitoradas periodicamente após o parto, pois estão mais sujeitas a desenvolver diabetes ao longo da vida. Cerca de 50% destas mulheres podem desenvolver diabetes após 7 a 10 anos da gravidez. Todas as gestantes devem ter sua glicemia medida no início da gestação. Aquelas com glicemia acima de 85 e abaixo de 125 ou com fatores de risco para desenvolver diabetes gestacional deverão ser tratadas e acompanhadas mais à frente com exames específicos.

Os fatores de risco mais importantes são:

• Idade acima de 35 anos;

• IMC > 25 kg/m² (sobrepeso); ou ganho excessivo de peso na gravidez atual;

• Histórico familiar de diabetes em parentes próximos (1º grau)

• Crescimento fetal excessivo, hipertensão ou pré-eclâmpsia na gravidez atual;

• Antecedentes obstétricos prévios: de morte fetal ou neonatal, de macrossomia (peso excessivo do bebê)

• História prévia de diabetes gestacional (DMG).

Se você se enquadra em algum destes grupos ou tem alguma dúvida sobre este assunto, converse com seu obstetra.

2 – Obesidade e gestação – Mulheres acima do peso estão mais sujeitas à infertilidade, com uma menor chance de sucesso nos tratamentos para infertilidade além de aumento do risco de abortamento espontâneo. Sabe-se que quanto maior o peso ao engravidar, maior é o risco de:

– pré-eclampsia;

– diabetes gestacional;

– infecções urinárias;

– hemorragia e infecções puerperais;

– além do aumento do risco de morte, tanto durante a gravidez como no puerpério.

Mais recentemente, surgiram evidências de que a obesidade dificulta a amamentação. Além disso, já se sabe que a prevenção da obesidade infantil começa dentro do útero porque a obesidade materna pode comprometer as vias metabólicas do bebê, o que significa que a mulher que engravida com excesso de peso coloca seu bebê sob risco de apresentar obesidade e diabetes, ainda na infância ou ainda na vida adulta. Mulheres que desejam engravidar devem buscar atingir seu peso normal, tratando sobrepeso e obesidade com orientação adequada.

3 – Tireoide e gestação – Embora ainda haja controvérsia sobre a necessidade ou não da pesquisa de disfunções tireoidianas em todas as gestantes, grande parte dos especialistas é favorável a este screening universal no Brasil, por que há grande número de gestantes com hipotireoidismo (clínico e subclínico) que não sabem e são claros os efeitos benéficos do tratamento com levotiroxina nestas gestantes, tanto para elas como para os bebês. Por outro lado, as complicações materno-fetais mais comuns naquelas não diagnosticadas e tratadas são várias: abortamento, hipertensão gestacional, pré-eclampsia, rotura prematura de placenta, parto prematuro, baixo peso fetal, diminuição do quosciente de inteligência (QI) e morte fetal. Importante destacar que a gestante com hipotireoidismo não diagnosticado não suprirá o feto com quantidades adequadas de hormônios tireoidianos, o que pode comprometer o desenvolvimento neurológico fetal. Para as mulheres em tratamento de doenças tireoidianas, seja hiper ou hipotireoidismo, é fundamental que a gestação seja planejada e acompanhada pelo seu endocrinologista. Caso a gravidez não seja planejada, a mulher com hipotireoidismo deve procurar de imediato seu endocrinologista, pois sua medicação terá que ser reajustada para proteção de seu bebê. As gestantes podem apresentar algum tipo de receio ao tomar a medicação durante a gestação, mas devem ser orientadas de que nesta fase ele se torna ainda mais importante e o hipotireoidismo bem controlado não trará qualquer prejuízo ao feto. No caso do hipertireoidismo, também é fundamental que o endocrinologista seja prontamente procurado, para os ajustes necessários ao tratamento e para o acompanhamento da mãe e do bebê durante toda a gestação e no pós parto. No caso de nódulos de tireóide na gestante, avalia-se a necessidade de punção aspirativa por agulha fina (PAAF) e risco versus benefício de um procedimento cirúrgico nesses casos. Mais do que nunca, avaliação especializada é fundamental para a decisão mais adequada a cada caso, conforme os resultados dos exames indicados. Em geral, os estudos não mostram aumento de malignidade em nódulos de tireóide em gestantes, em relação à população geral, o que nos permite definir o tratamento após o término da gestação, na maioria das vezes. Se você tem algum problema na tireoide, procure planejar sua gravidez junto a seu endocrinologista.

Caso você tenha dúvidas, converse com seu obstetra.

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