Saúde

Cuidados Pós Gravidez

23.5
Dra. Patrícia Peixoto

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E encerrando os posts do mês das mães, vamos falar sobre o pós parto. Seu bebê nasceu. Momento de curti-lo e se cuidar. Apesar de não ser uma fase fácil para a maioria das mulheres, é um momento especial. Não há como não falar da AMAMENTAÇÃO, sendo recomendada que seja exclusiva até os seis meses. Diversos estudos mostram seus inúmeros benefícios:

– Reforça o vínculo mãe e filho

– Facilita o retorno ao peso anterior para a mamãe, diminui o risco de hemorragias no pós parto.

– Protege o bebê, melhorando sua imunidade e reduzindo o risco dele ter doenças infecciosas: diarreia, otites, infecções respiratórias, alergias, desnutrição, doenças digestivas, obesidade, meningites, sarampo, doenças do trato urinário, cáries.

– Diminui o risco futuro do bebê desenvolver alergias

– Diminui o risco materno de câncer de mama e ovários, hipertensão arterial, diabetes, obesidade e osteoporose.

– Diminui o risco para o bebê de ter diabetes ou obesidade na idade adulta.

– Melhora a formação da boca e alinhamento dos dentes, o desenvolvimento da fala do bebê, além de ajudar no desenvolvimento da criança, principalmente neuro-psicomotor e cognitivo, inclusive com aumento do QI.

Para estar bem preparada, comece durante a gestação a preparar o bico das mamas, com orientações do obstetra. E, após o parto, falando como mãe, não há fórmula mágica, mas, tente, insista. E não se prive de pedir ajuda se as coisas não estiverem indo como o desejado. Nenhum leite materno é fraco, o seu não será. O bebê que mama no peito não precisa nem de água. Amamente. E, se por algum motivo não for possível, não se culpe. Siga as recomendações do pediatra para que o leite materno seja substituído por fórmulas adequadas pois a troca do leite materno por bebidas lácteas indevidas aumenta o risco de várias doenças para seu bebê.

Nesta fase, é importante estarmos atentos a algumas doenças endócrinas que tem risco de ocorrerem em mulheres predispostas. A principal é a Tireoidite pós-parto:

Cerca de 5 a 10% das mulheres manifestam hipertireoidismo leve a moderado alguns meses após o parto. Nesses casos, o distúrbio costuma durar de um a dois meses e, freqüentemente, é seguido por vários meses de hipotireoidismo antes do organismo se normalizar espontaneamente. Entretanto, em alguns casos, a tireóide não se recupera, e o hipotireoidismo se torna permanente, sendo necessária a reposição hormonal ao longo da vida.

Os sintomas variam de acordo com a fase da tireoidite:

– primeira fase: hipertireodismo – pode não produzir sintomas, ou os que surgem se confundem com queixas que são comuns a mulher no pós parto: insônia, agitação, angústia, perda de peso, queda de cabelos…

– Segunda fase: hipotireoidismo – fase que costuma ser mais longa. Os sintomas são os da falta de hormônios tireoidianos: cansaço, pele ressecada, queda de cabelos, sono excessivo, irregularidade menstrual… Ela pode ser transitória ou permanente, quando a necessidade de tratamento definitivo com levotiroxina se faz necessária.

– Como saber se sintomas tão comuns no pós parto podem ser devidos à tireoidite?

Sendo a tireoidite pós parto uma doença que não é rara, se você tem os sintomas descritos e, principalmente se há histórico familiar de doença tiroidiana, procure o endocrinologista. A tireoidite pós parto pode ser prevista através da dosagem do AATPO no início da gestação (entre a 16a e a 20a semanas), porém só se recomenda este exame para gestantes com fatores de risco: diabetes do tipo 1, outras doenças auto-imunes ou forte história familiar de tireoidopatia. Nas demais, vale a recomendação de ficar atenta aos sintomas e procurar ajuda especializada se eles surgirem.

Além disso, mulheres já com doenças endócrinas pré gestação devem estar bem orientadas:

1 – Hipotiroidismo: Após o parto, há uma redução gradativa da dose de levotiroxina (que precisou ser aumentada durante a gestação) até a dose pré gravídica, o que deve ser feito pelo seu endocrinologista.

2 – Hipertiroidismo: Se for por Doença de Graves ( auto-imune), após o parto, o hipertiroidismo tende a se exacerbar, o que requer acompanhamento médico adequado. Caso a mulher esteja amamentando, a dose do medicamento deve ser a menor possível. O uso do medicamento adequado não impede a mulher de amamentar.

3 – Nódulos em tireóide: Na maioria dos casos de nódulos descobertos na gestação, aguarda-se para ser feita a investigação após o parto.

4 – Diabetes tipo 1 e tipo 2: Requerem cuidados para a gestante e o bebê durante a gestação, no parto e no pós parto imediato. Depois disso, e fundamental que a mãe mantenha o seguimento com o endocrinologista que já a acompanha, para os ajustes das medicações, o que é individualizado.

E quanto ao diabetes gestacional? Neste caso, a elevação anormal nos níveis de glicose materna ocorrem por conta da gestação. Já foi dito em post anterior que seu tratamento correto é fundamental para a boa evolução da gestação e do parto, tanto para a saúde materna, como para a do bebê.

Após o parto, o diabetes gestacional geralmente desaparece, com o açúcar no sangue retornando a seus níveis pré-gravidez. Para verificar isso, o médico precisa pedir um teste de tolerância à glicose 6 a 12 semanas após o parto. Entretanto, o risco materno de ter diabetes no futuro persiste. Ter diabetes gestacional aumenta o risco de ter novamente diabetes em gestações futuras e de ter diabetes tipo 2 mais tarde. Por conta disso, A mulher deve:

– relatar a todos os seus médicos que teve diabetes gestacional.

– Controlar seus níveis de açúcar no sangue. Se o açúcar no sangue estiver de volta ao normal em 6 a 12 semanas, deve ser monitorado periodicamente.

– Se a puérpera apresentar pré-diabetes deve receber terapia intensiva (orientação alimentar, exercício e medicação) para prevenir a diabetes.

Como o diabetes gestacional pode afetar o bebê? Diabetes gestacional não controlada pode levar o bebê a nascer com:

* baixos níveis de açúcar no sangue

* baixos níveis de magnésio e de cálcio no sangue

* muitas células vermelhas do sangue

* icterícia (coloração amarelada da pele)

* problemas respiratórios

O pediatra precisa monitorar o bebê de perto para essas condições no pós parto imediato. A longo prazo, bebê nascidos de uma mãe com diabetes gestacional são mais propensos a:

* ter tamanho maior (macrossomia)

* ser obesos durante a infância

* desenvolver diabetes tipo 2 em idade adulta.

Como a mulher que teve diabetes gestacional pode prevenir o diabetes tipo 2 nela e no filho?

– Amamentando por pelo menos 6 meses. Estudos têm mostrado que as crianças que são amamentadas são menos propensas a se tornarem obesas na vida adulta. A obesidade aumenta o risco de diabetes.

– Alcançando e mantendo um peso saudável depois do parto

– Escolhendo alimentos saudáveis. Priorize frutas, verduras, fontes magras de proteína, baixo teor de gordura e grãos integrais. Limite alimentos e bebidas ricas em gordura saturada, colesterol, sal e açúcar.

– Mantendo-se fisicamente ativa todos os dias.

– Fazendo os exames de seguimento

– Estimulando seu filho a comer de modo saudável desde pequeno.

– Incentivando seu filho a brincar de modo ativo, tendo atividades físicas no seu dia a dia como algo normal e natural desde pequeno.

– Controlando o tempo do filho em jogos eletrônicos e em frente à TV. Espero que tenham gostado destes posts.

Os próximos serão sobre climatério e menopausa!

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