Saúde

Cuidados pré gravidez

02.5
Dra. Patrícia Peixoto

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No mês dedicado às mães, escolhemos falar dos cuidados a serem tomados antes, durante e após a gestação. Para isso, faremos um post dividido em três partes. Uma gravidez sem complicações e saudável depende de medidas tomadas antes mesmo da futura mamãe engravidar. Vamos a elas:

1 – Procure um ginecologista:

– Informe sobre medicações que está tomando, pois algumas podem ser perigosas para o bebê, devendo ser suspensas e substituídas antes mesmo da gravidez.

– Relate doenças comuns na família materna e paterna. Caso não conheça, procure se informar. Anemia falciforme, fibrose cística, atrasos de desenvolvimento, defeitos congênitos ou problemas de coagulação de sangue devem ser investigados.

– Coloque as vacinas em dia

– Se bebe ou fuma, abandone estes hábitos, que sabidamente são prejudiciais ao bebê.

– Exames serão feitos – hemograma, análise de colesterol, sorologias para verificar se a mulher tem imunidade contra doenças infecciosas que, se contraídas durante a gestação, podem trazer complicações ao bebê. Um exemplo é a rubéola. Se a mulher não tem anticorpos contra ela, deverá ser vacinada antes de engravidar, recomendando-se que depois aguarde pelo menos 30 dias para engravidar. Um segundo exemplo é o caso de mulheres que não tem imunidade contra toxoplasmose. Neste caso, não há vacina, porém a mulher será orientada a não ingerir carne mal passada, somente ingerir frutas e verduras cruas que tenham sido bem higienizadas e evitar contato com gatos.

2 – A verificação da pressão arterial, peso e presença de sobrepeso ou obesidade são fundamentais:

– A – Mulheres com hipertensão arterial devem ser observadas mais de perto antes, durante e após a gestação.

– B – Pacientes diabéticas devem obrigatoriamente ser seguidas pelo endocrinologista. Antes de engravidar é fundamental que os níveis de glicose e pressão arterial estejam bem controlados. A avaliação da retina deve ser feita também, uma vez que durante a gestação pode haver piora da retinopatia diabética. Outro cuidado é com a função renal e da tireóide.

– C – Mulheres com sobrepeso ou obesidade devem ser orientadas e auxiliadas a perder peso antes de engravidar. O peso acima do ideal pode dificultar a ovulação e, em consequência, a gestação. Mais à frente, explico porque. Além disso, o peso em excesso põe a mulher e o bebê em risco, por aumentar as chances de hipertensão arterial e diabetes gestacional, além de parto prematuro.

3 – Pode ser necessária a verificação da presença de doença em tireóide. Neste caso, é prudente procurar o endocrinologista, pois algumas “armadilhas diagnósticas” podem levar a um diagnóstico e tratamento incorreto. A tireoide deve estar funcionando bem, uma vez que hipotireoidismo e hipertireodismo afetam os hormônios femininos, e consequentemente a fertilidade. Além disso, bebês de mulheres que engravidem com hipotireoidismo mal compensado e assim se mantenham tem risco aumentado de apresentar futuramente problemas cognitivos. Mulheres que engravidem em hipertireodismo tem risco elevado de abortamento e o bebê pode nascer com hipo- ou hipertireodismo neonatal. Exemplos de situações em que devemos checar a tireoide antes da gestação:

– A – mulheres com mais de 35 anos

– B – mulheres com história familiar de doença na tireoide.

4 – Mude seus hábitos alimentares – Independente do peso materno, a qualidade da sua alimentação é fundamental. Vitaminas são essenciais à formação do bebê. A dieta da futura mamãe deve ser rica em verduras escuras, batata, feijão, lentilha, ervilha, ovo, salmão, carne vermelha, laranja, limão e tangerina, muitas vezes é preciso fazer uso de vitaminas extras.

– CAFÉ – a cafeína pode atrapalhar a absorção de ferro e cálcio, comprometendo a capacidade de engravidar. Além disso, o aumento da presença de radicais livres também pode prejudicar a concepção.

– Refinados como pães, massas e bolachas feitas com farinha de trigo também deverão ser consumidas com moderação. A presença do fitoesterol nestes pratos pode interferir no estrógeno, hormônio feminino envolvido na ovulação. Doces e alimentos gordurosos também devem ser controlados.

– O ácido fólico pode prevenir defeitos no fechamento do tubo neural e também doenças congênitas. O recomendado é a mulher tomar 400 mcg (0,4 mg) de vitamina três meses antes de começar as tentativas para engravidar.

5 – Pratique exercícios físicos – Os exercícios ajudam no controle do peso, melhoram a postura e a circulação sanguínea, previnem dores lombares, inchaços de pernas e pés e reduzem os riscos de diabetes gestacional e hipertensão.

6 – Procure um dentista: – cuidados bucais como limpeza e obturações devem estar em dia antes da mulher engravidar, pois as mudanças hormonais decorrentes da gravidez podem deixar os dentes e gengivas mais sensíveis.

7 – Como a alimentação interfere na fertilidade? Ao ingerimos alimentos muito ricos em açúcar ou seja, de alto índice glicêmico, a taxa de insulina, hormônio transportador do açúcar para a célula, sobe rapidamente, fazendo com que o açúcar entre muito rápido na célula. Uma proteína, globulina, sintetizada no fígado, funciona como uma proteína de transporte para a maioria dos hormônios. Com o “sobe e desce” da insulina, esta globulina também acompanha este “vai e vem”. Isso pode fazer com que os hormônios masculinos (andrógenos) aumentem, o que prejudica a ovulação. Por outro lado, quando insulina está regulada, o que podemos conseguir com alimentação, perda de peso e uso de medicamentos, os hormônios sexuais ficam mais estáveis, na quantidade adequada. Com isso, os ciclos mais regulares e com a ovulação saudável. Algumas fontes de alimentos de baixo índice glicêmico: arroz integral, aveia em flocos, mandioquinha, batata-doce, milho, inhame, quinoa, maçã, pera, ameixa, atum e grão-de-bico. Coloque-os no seu cardápio diário.

8 – Por que o excesso de peso atrapalha a fertilidade? Mulher com sobrepeso ou obesidade tem uma taxa de hormônios masculinos maior porque o tecido adiposo produz mais andrógenos periféricos, com isso ela pode deixar de ovular. A redução do peso permite que estes níveis se normalizem, e também a ovulação. Em alguns casos, e necessário também o uso de medicamentos específicos.

Se você está planejando engravidar, leve estas dicas a sério. ;)

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